A Árvore da Vida

Antes de começar o que imagino que será uma longa resenha sobre o lançamento do dia, “A Árvore da Vida”, deixem-me dividir com vocês a prova da ansiedade que eu (e até o Lucas, que nem é chegado em dramas) estava nutrindo em relação a esse longa. Por algum motivo que eu desconheço, o filme não estreiou na minha cidade (nem eu nenhuma vizinha). O lugar mais próximo em que estava passando era em Porto Alegre, que é longinho, mas não nos importamos, e decidimos ir mesmo assim. Vimos na Internet que no Aeroporto Salgado Filho “A Árvore  Vida” estava passando, e para lá nos tocamos de trem (pois o Monzão do Lucas tava com problemas). Ao chegarmos lá (num calor terrívellll) recebemos a brilhante notícia de que o cinema do aeroporto havia fechado (então por que não avisaram no site, ó céus?!!!?!?!?). Então, através de um taxi que nos sugou os suados trocados, fomos mais adiante até um shopping e esperamos por horas até uma sessão. Foi frustrante, mas, na minha pobre e ingênua cabecinha, valeria à pena. Bom, agora deixem-me explicar porque eu me enganei. O filme é uma viagem. Sim, ele é um alucinógino estragado. E acreditem, eu costumo gostar de filmes estranhos, como “Uma Odisséia no Espaço”, “Laranja Mecânica”, “Dogville” e talz, mas esse filme ultrapassou os limites da estranheza; foi simplismente uma das coisas mais lock que eu vi nos últimos anos. Tá, eu saquei que o tema era a vida, as relações humanas, os sentimentos, etc., mas tinha que colocar imagens e detalhes nada a ver no meio de uma tentativa de tornar cult o que não é? Pra quem está boiando eu explico: o filme não tem uma narrativa linear, ele dá uns saltos muito estranhos. Pra terem uma ideia, acompanhamos a explosão do Big Bang, a era dos dinossauros (alguém me explica pra que serviu aquele dinossauro pisando na cabeça do outro?), o cotidiano de uma família religiosa e toda fudida, a vida adulta de um membro dessa família e muitas outras coisas. Parece interessante, não? Bom, talvez até fosse se isso fosse a única singularidade, mas não é. Não é apenas as noções de tempo que são distorcidas, mas as de espaço também. Uma hora estamos no mundo que conhecemos, o normal, noutras passamos minutos olhando explosões, auroras boreais, animais e paisagens, tudo regado a monólogos de uma mulher que, além de sussurar, é filosófica, religiosa e poética demais para ser compreendida por humanos normais. Ahhh, já ia esquecendo, além das frases sem noção, que fizeram eu ter a maior vontade de rir de toda a minha vida (na real escutei risos abafados de toda a plateia), uma música à lá gospel serpenteou todo o filme, dando para o tema “vida” ares de pura espiritualidade. Eu imagino que o diretor, Terrence Malick, tenha tentado fazer algo semelhante à “2001 – Uma Odisséia no Espaço”. Por quê? Há muitas semelhanças (embora “A Árvore da Vida” não chegue aos pés do brilhante “2001…”, do gênio Kubrick), por exemplo, as imagens psicodélicas embaladas por música clássica, a visão da Terra e de sua sombra no espaço, a confusão entre tempo e espaço, a variação de idade de um personagem, e como ela parece superficial, etc. O tempo todo eu senti que Malick olhou “Uma Odisséia no Espaço”, fumou um baseado e escreveu um roteiro sem nenhum sentido (aos menos para os que possuem uma sensibilidade normal, e não são nenhum Sócrates). E os personagens? Sei lá, eu tenho minhas conclusões. Acho que o Brad Pitt/o pai (que estava bem por sinal, com exceção do seu tique nervoso de colocar o queixo e lábio inferior pra frente) era a natureza, a impulsão humana; a mãe (Jéssica Chastain), que era mega angelical, parece ser o que a própria chamou de “graça”, que creio ser a bondade celestial; e as crianças/filhos… Olha, creio que sejam, ao menos enquanto jovens, uma junção das duas coisas (uma das únicas coisas que fez sentido pra mim foi quando o filho com maior destaque disse que os pais sempre estavam, e estarão, “lutando dentro dele”). Eu li em uma crítrica do José Messias no site do Cine Pop algo que fechou muito com o que eu estava pensando: “A Árvore da Vida” não vai a lugar nenhum, não diz nada, é apenas um experimento cinematográfico sobre sensações, sentimentos e a condição humana. Como reflexão sobre a existência talvez seja válido, mas como filme é sofrível.” (só uma observação: por que as críticas negativas sobre o filme têm, nesse site, notas inferiores às positivas, sendo que estão bem melhor escritas?). Bom, para concluir:acredito, após muita explanação, que “A Árvore da Vida” é como um quadro mega abstrato (do tipo que o pintor só joga um balde de tinta na tela, ou mesmo a deixa em branco, apenas com um botão grudado no meio); as pessoas atribuíem-lhe valor porque não o compreendem, e acham que passarão por burras se o admitirem, quando na verdade o que não param de pensar é “que grande bosta”.

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2 comentários sobre “A Árvore da Vida

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