Um protesto pelo direito de fazer xixi

Pois é, sim, eu sei que o título de hoje é, no mínimo, intrigante, mas juro que é baseado em muita ponderação. Não é que hoje, em meio a torrentes de chuva, no centro de Porto Alegre, eu estava pronta para pegar o ônibus e vir pra casa quando, de repente, me dá uma puta vontade de fazer xixi, mas muita vontade mesmo. “Que sorte que em cima desse terminal de ônibus há o camelódromo, onde certamente há banheiros!”, pensei eu, muito ingenuamente. Bom, lá fui eu pro camelódromo à procura de um banheiro. Em resumo, eu cheguei ao banheiro, mas, acreditem se quiserem, havia na porta desse dois guardas e uma roleta. O que significa isso? PARA ENTRAR NO BANHEIRO (QUE FEDIA A MIJO E NÃO TINHA PAPEL HIGIÊNICO) EU TIVE QUE PAGAR R$1,50. Pois é, eu paguei, fiz xixi, me limpei com uma folha de fichário e, indignada, saí de lá. Sabem, isso me fez lembrar de algo que um dos meus professores falou essa semana (na aula de Ética): o Mundo não seria propriedade de todos que nele habitam? O passaporte, por exemplo, não seria , nesse caso, quase como um instrumento pornográfico, que coloca barreiras e delimita propriedades sobre recursos naturais? Eu fiquei pensando… Eu sou um ser humano, respiro, como, durmo, faço minhas necessidades, me comunico, etc. O que eu tenho de diferente em relação ao mendigo da esquina ou a um milionário? Sim, eu sei, o dinheiro. Mas, não é ridículo eu ter que pagar pra ter um lugar onde fazer xixi (sendo que, estando eu no camelódromo, eu era cliente do local)? Sabem, até isso que eu coloquei entre parênteses agora me indigna: apenas por ser cliente eu deveria ter acesso livre ao vaso sanitário. Não seria isso tudo quase uma ditadura dos banheiros, ou melhor, da vida? Acabo de concluir uma coisa: acho que, agora que estou estudando de novo, meu ímpeto comunista está retornando.

Obs.: esse episódio de hoje me lembrou a primeira cena do filme “Eu, Cristiane F. – 13 anos, drogada e prostituída”. Lembram que ela começa dizendo que o cheiro debaixo das escadas dos prédios é horrível? Daí ela explica que é porque as crianças ficam muito apertadas pra fazer xixi e, caso pegassem o elevador e acabassem fazendo xixi na calça, iriam apanhar dos pais, portanto, mijam embaixo das escadas. Taí… Eu devia, como forma de protetso, ter feito xixi no chão, na frente de todos. COMO É FÁCIL APENAS FALAR, NÃO É?

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6 comentários sobre “Um protesto pelo direito de fazer xixi

  1. Amigaa, que bom que tu voltou a estudar! Tu é o meu exemplo cultural e minha inspiração. Tay, eu acredito que a liberdade é a coisa mais importante que um ser humano possa ter. Ok, não é possível salvar o mundo, mas continua publicando tuas opiniões e ah! não desista do comunismo, ele está inscrustado em ti. Beijõesssss

    • É amiga, só posso contar contigo mesmo pras minhas ideias utópicas *-* E, relembrando Cecília M.: liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda. Bjossssss!!!!!!!!

  2. Nyne, a realidade é que o que te incomoda não é o motivo pelo qual o direito de fazer xixi não era liberado e sim, teu medo de pagar mico e fazer xixi nas calças, hehehehehehe, admite… esse é o maior problema.

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