À casa trouxeram morto seu guerreiro

À casa trouxeram morto seu guerreiro

Alfred, Lorde Tennyson

Hoje, lendo “O Destino do Tigre”, da Colleen Houck, me deparei com um poema que a personagem principal lê em voz alta em um funeral bem atípico. Amei o poema e resolvi procurá-lo no Google e postar no blog. No entanto, achei a tradução apresentada no livro melhor do que a que achei na Internet. Por isso, copiei exatamente como lá estava.

À casa trouxeram morto seu guerreiro,

Ela não desmaiou, nem emitiu ruído.

Suas damas todas disseram bem ligeiro:

Ela deve chorar ou seu fim será doído.

Então o enalteceram, como num breviário,

Chamaram-no digno de ser amado,

Amigo de confiança, nobre adversário;

Ainda assim, ela ficou imóvel e calada.

Eu já gostei do começo. Só esses 2  estrofes já me ganharam. Me imaginei há séculos atrás, em casa, esperando meu bravo marido voltar de uma perigosa batalha quando, de repente, só seu corpo sem vida volta. E, surpreendentemente, eu não consigo chorar. E todos sabem que a melhor maneira de lidar com a morte de um ente querido é não guardando para si o sofrimento, mas pelo contrário, exacerbando ele. Eu me identifiquei bastante… Não choro em velórios e funerais. Ou pelo menos não que eu me lembre. Claro, nunca perdi nenhum dos meus pais, minha irmã ou meu namorado. Mas já perdi avós, tios… No meu caso, eu nunca chorei nesses eventos pois nunca gostei de dividir com outros emoções íntimas minhas (motivo pelo qual tbm não me sinto bem chorando ao assistir um filme com mais alguém). Já no caso da personagem, acho que o choque e a falta de esperança em continuar vivendo foi o que a impediu de derramar uma lágrima sequer.

Levantou-se uma dama do lugar,

E para o guerreiro se encaminhou,

Removeu-lhe o véu do rosto devagar;

Ainda assim, ela não se moveu nem chorou.

Amei essa parte: uma dama, provavelmente jovem (eu imagino),  imaginou que o que faltava à viúva era ver o rosto do amado, lembrar-se de suas feições. 

Ergueu-se uma aia de noventa anos,

Pôs-lhe no joelho o filho dele em segurança

E as lágrimas lhe vieram em oceano

Por ti eu vivo, minha doce criança.

E aqui é quando acredito que a experiência de vida mostra seu poder. Uma aia, ou seja, uma mulher mais simples, que já deve ter vivido de tudo um pouco na vida, de noventa anos, sabia do que a jovem viúva precisava: ela precisava de vida, simples assim. Imagino que a mesma aia já deva ter perdido amores, pais, quem sabe até filhos. E pra mim é dessa forma que o poema mostra sua beleza.

Beijinhos! 

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